No começo era mais ou menos assim, havia um sentimento
indefinido que ora nos unia ora nos repelia, estávamos fazendo planos
para uma vida juntos e num instante queríamos acabar tudo, de vez! E até
acabamos. Ciúmes exagerados e brigas ainda mais exageradas,
reconciliações (in)esperadas após milhares de segundos sem o outro.
Acreditar agora que fomos feitos um para o outro não impede que amanhã
duvidemos que realmente dará certo. Incertezas, inseguranças,
dependência mútua, orgulho mútuo, o prazer da presença, o prazer da
ausência só para machucar, as demonstrações de força e de fraqueza, o
enfrentamento dos obstáculos, a diminuição dos mesmos, os acertos, os
erros e suas correções com promessas de melhoras. Pisadas na bola e a
inevitável queda, o cuidar do outro e o ser cuidado, as discussões
dantescas com acusações hostis e palavras dolorosas cravadas no peito,
que doem menos do que o silêncio do outro. Só nós sabemos o que vivemos,
só nós sabemos o que sentimos e o que vivemos e sentimos nunca deixará
de existir porque não o construimos, simplesmente surgiu e nos apanhou. O
amor fez as malas, mas não conseguiu partir. Ele sentiu falta de nós
dois.
29/12/2011

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