segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sensações

Como um cego sigo em tua direção. Sem temer eventuais tropeços, caminho. Arrisco, arisco, num ímpeto voraz, tateando evidências de sua presença que às escuras anelo. Busco teu ofegante respirar... Sinto na epiderme da alma este soar. Transpiro... suspiro... salivo. 26/07/2011

domingo, 25 de novembro de 2012

Tragos



Nossa estrela está lá, no alto, brilho imponente, como uma sentinela guardando nossos corpos enlaçados na areia. Alguns tragos e toda uma história passa no escuro horizonte à nossa frente. Sopro a fumaça e com ela vão as incertezas, as ameaças e os riscos ao nosso amor. Fizemos promessas. Selamos um pacto. Compartilhamos olhares. Retribuímos sorrisos. Consideramos o presente como nosso tempo. Idealizamos o futuro como nossa conquista. Revi conceitos. Mudei atitudes. Me entreguei sem reservas. Tatuei em meu ser, alguém como você.
03/10/2011

Invasão

Não precisa ficar aí parada, pode entrar. Escancarei toda minha vida somente para você. Reservei o melhor de mim, mas não consegui disfarçar o pior. Espero que não repare. Senta, sinta-se em casa, pode abusar, invade todos os cômodos desse ser entregue e desprotegido. Deita, descansa, dorme nesse coração. Arrumei há pouco sem saber que receberia visita. Sonha... Não acorde!
01/11/2011

Amor em risco

Acendo o estopim e você explode. Aperta o gatilho e eu disparo. Corto a corda e você cai. Sinaliza e eu ultrapasso. Corro e você cansa. Dança e eu erro o passo. Demoro e você atrasa. Acende um cigarro e eu trago. Escrevo e você apaga. Sonha e eu voo. Sofro e você entristece. Deseja e eu realizo. Caminho e você alcança. Dispostos em pólos opostos, semelhanças e discrepâncias, chegamos a uma unidade simbiótica que nos permite sentir e reagir exatamente como o outro porque é muito mais do que amor o que sentimos. 04/10/2011


Partida?

No começo era mais ou menos assim, havia um sentimento indefinido que ora nos unia ora nos repelia, estávamos fazendo planos para uma vida juntos e num instante queríamos acabar tudo, de vez! E até acabamos. Ciúmes exagerados e brigas ainda mais exageradas, reconciliações (in)esperadas após milhares de segundos sem o outro. Acreditar agora que fomos feitos um para o outro não impede que amanhã duvidemos que realmente dará certo. Incertezas, inseguranças, dependência mútua, orgulho mútuo, o prazer da presença, o prazer da ausência só para machucar, as demonstrações de força e de fraqueza, o enfrentamento dos obstáculos, a diminuição dos mesmos, os acertos, os erros e suas correções com promessas de melhoras. Pisadas na bola e a inevitável queda, o cuidar do outro e o ser cuidado, as discussões dantescas com acusações hostis e palavras dolorosas cravadas no peito, que doem menos do que o silêncio do outro. Só nós sabemos o que vivemos, só nós sabemos o que sentimos e o que vivemos e sentimos nunca deixará de existir porque não o construimos, simplesmente surgiu e nos apanhou. O amor fez as malas, mas não conseguiu partir. Ele sentiu falta de nós dois.
29/12/2011

Restos

De repente o caos. Onde tudo perde a rima e os valores são drasticamente desfeitos. Palavras atiradas, como um tornado atingem minha fortaleza. Fragiizado, inerte, olhar estagnado... Te procuro, tudo em minha volta inexiste e você é tudo  o que me resta. Meu resto, migalhas em ti, me enxerto, rejeição prognosticada. meus escombros ecoam dor, me rasgo, agonizo, mais dois suspiros, encorajo. Me lanço, me nego, atiro, padeço. Te levo, imortalizado, tatuado em meu peito, preso em minha pele.  
14/11/2011

Espelho Infiel

Olhos que não me veem, ouvidos que não me ouvem, mãos que não me tocam, pés que não me seguem, braços que não me abraçam, colo que não me acolhe, bebida que não me sacia, veneno que não me mata, descanso que não me conforta, verdade que não me convence, mentira que não me ilude, espera que não me irrita, reparo que não me conserta, força que não me sustenta, dor que não me incomoda, fuga que não me surpreende, saudade que não me comove, espinho que não espeta, sombra que não me esconde, espelho que não me reflete. EU, que não existo.
18/10/2011

Adaptações


Sou o que o amor deixou
Fui entrega sem reservas
Sou produto das decepções
Fui dedicação e cuidar
Sou descrença e frieza
Fui guerreiro e coragem
Sou surdez emocional
Fui súdito de um sorriso
Sou apatia e silêncio
Fui dança na alegria
Sou escravo em liberdade
Fui calor em noite fria
Sou grilhão sem chave
Fui aconchego e carinho
Sou mão sem companhia
Fui aceno solidário
Abandonei meu eu, vivi você
Tropecei na vida, caí em mim
01/11/2012

Internamente

Passa o tempo, passatempo, as horas passam sem ao menos um aceno. De repente tudo se torna novo, assustadoramente desconhecido e imprevisível. Da memória todos os registros vão escoando... Ralo, odor, detritos. Indícios de uma existência, como rugas, marcas do tempo. Intelecto intacto, corpo nem tanto. Comando de voz, paraplegia, um simples desejo... Monotonia. Manifestos, reveses, inexatidão de sentimentos gris, ambiguidade e gratidão. Um ser em plena constituição.
15/10/2011